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Frankenstein
por [arquivo field="autor"]
Nível de medo: [arquivo field="escala_de_medo"]
Editora: Darkside
Ano de lançamento: 2017
ISBN: 9788594540188
Victor Frankenstein é o tipo de cientista que não sabe onde está a linha entre o brilhantismo e a loucura, e honestamente não se importa muito em descobrir. Obcecado desde jovem pelos segredos da vida e da morte, ele passa anos saqueando cemitérios, remendando pedaços de cadáveres e perseguindo a resposta para a pergunta que nenhum ser humano sensato deveria fazer em voz alta: é possível criar vida? Quando a criatura que montou na mesa do laboratório abre os olhos, Victor tem a resposta. E imediatamente foge em horror da própria conquista, abandonando o ser que trouxe ao mundo sem nome, sem família e sem ninguém que o olhe sem recuar em pânico.
O que Frankenstein faz de mais perturbador é dar voz à criatura. Ela não é o monstro mudo e violento que o cinema consolidou no imaginário popular. É um ser que aprendeu a ler, que se emocionou com poesia, que tentou desesperadamente pertencer ao mundo humano e foi rejeitado em cada tentativa, pelo próprio criador inclusive. Quando a violência vem, vem carregada de uma lógica devastadoramente coerente: um ser abandonado pelo seu Deus, condenado à solidão absoluta por uma aparência que não escolheu, decide virar o tabuleiro. E a pergunta que fica suspensa até a última página é justamente a que Mary Shelley plantou no título: quem é o Prometeu da história? O criador inconsequente, ou a criatura que carrega o castigo?
Escrito em 1816 por uma jovem de 18 anos durante um verão tempestuoso à beira do Lago Genebra, numa espécie de desafio literário entre amigos que incluía Lord Byron, Frankenstein foi publicado em 1818 e é hoje reconhecido como um dos pilares fundadores do romance gótico e da ficção científica moderna. A estrutura da narrativa é composta por três partes que intercalam passado e presente, contando o mesmo fato pela perspectiva de três personagens diferentes, o que dá ao livro uma profundidade que vai muito além do horror de superfície. Duzentos anos depois, a pergunta sobre os limites da ciência e as responsabilidades do criador nunca soou tão atual.